sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Na Aldeia...

Nas aldeias tudo é mais pacato....
Durante o dia, Vêem-se as mulheres na rua, algumas encontram-se depois de almoço no café com as suas Marias e as caturreirices que suscitam interesse.
O cheiro a lenha propaga-se pelas casas com tectos caiados, cães rafeiros ladram para o além divertidos.
Poucos carros, pouco movimento...
Ouvem-se os passáros e sente-se o vento saudável e puro.
À volta, as árvores emanam sua glória imponente.
Quando a tarde se arrasta ao pôr do sol, as mulheres recolhem-se nas suas casas e vão tratar dos seus deveres domésticos.
É então a hora dos homens se reunirem para contar as novidades do dia, discutir preços de casas e terrenos, o futebol e as noticias em destaque.
Prolongam-se nas tabernas até a fome apertar...
O recolher é cedo, a hora de jantar é sagrada e o dia começa de madrugada...
São assim os dias pacatos da aldeia onde quero viver....
Por enquanto sou a estranha que passeia o dia todo e vai ao café tanto de dia como de noite, que leva os seus livros e cadernos, que bebe o seu moscatel e canta, a estranha sem nome que tanto aparece por lá, sempre com um grande sorriso e simpatia, desejosa de me tornar uma aldeã neste quadro tão pitoresco....

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Momentos, Vontades, Anseios...

Palavras engasgadas, gritos soltos e desmedidos, vontade entorpecida de emergir da terra para o alto dos céus, voar e libertar as asas do desejo. Vontade de ser mãe, filha da mãe terra.
Estou enlaçada nas raízes que me guiam na minha própria cegueira....
Preciso de me soltar deste enclausuramento a que me dediquei, estou bloqueada, confinada a quatro paredes de solidão. O vazio que me tanto apraz..
Fujo do quê??
Espumo da boca como uma fera, rodopio na minha própria cauda de lagarto, as cores mudam conforme o espírito...
São momentos, devaneios, rasgos da minha natureza selvagem.
Sou mulher e não um bicho, mulher selvagem... mas são tantas as vezes que me esqueço e me perco em mim, deixo-me invadir pela insegurança, pelos medos sombrios e apago-me na invisibilidade do ser...
Momentos, não passam de momentos, mas são momentos que me deixam de rastos, canso-me porra, quando é que chega o jardim de flores, o som dos pássaros e as fontes?
Quando é que monto o cavalo branco da estrada da serra e cavalgo rumo à minha verdadeira essência?
Agora é o momento. É uma permisa a cumprir, preciso de explorar e usufruir desta imensa criatividade que há em mim.
Não serei como os outros, infelizes que não seguiram os seus sonhos, que se fecharam no mundo dos mundos, dos outros, dos que não sabem ou não querem saber, que pensam que sabem mas que não vêem o que de verdadeiro há para ver.
A Vida é para se viver com o coração, viver de Amor, para o Amor e com Amor!
Que sentido faz eu estar aqui, como um carneirinho, numa fileira em rumo ao precipicio?
Seguir o rasto?? Faz sentido? Sinto-me mais confortável???! Não!!
Chegar ao fim da minha vida e ver como não vivi, como deixei de lado todos os meus sonhos, porque não acreditei, porque houve quem não acreditasse?... Que miséria, confinar-me à opinião de alguns, que por vezes acho importante, mas o que é que eles sabem?! Vivem a vida por mim? Ditam-me as regras, tudo sabem quando é para opinar mas quando se trata de mudar as próprias fraldas é que se vê onde reside o real esterco!
Vivem da mentira e do engano, com ares emproados e arrogantes...
Não tenho paciência e sinto-me contaminada e angustiada com vómitos constantes, só de pensar que me posso tornar igual, que esteja nos meus genes, que me caia a mesma desgraça...
Tenho de lutar, tenho de ditar eu as regras, fazer-me ouvir, acreditar em mim já que poucos o fazem, até que são muitos, mas porque é que sinto isto??! Porque é que a opinião de apenas alguns me amargura tanto??!
Que cordão maldito que nos une....
Minha doce mãe, se estivesse no teu ventre agora, já estavas mais que cansada!
Eu nasci num turbilhão, noite de tempestade e desde cedo que não trouxe sossego, pois o sossego não pára em mim...
Mas sei que vou acalmar, um dia... talvez quando tiver um ser mais frágil nos meus braços, meu de algum modo, que eu possa Amar, proteger e cuidar, incentivar as suas motivações, vê-lo crescer com orgulho...
Quero tanto formar o meu clan, começar de novo, não fazer as mesmas asneiras, se bem que vou errar, mas pelo menos formar o lar que sinto que perdi há tanto tempo atrás...
Estou cansada de não saber a onde pertenço...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

O Caminho dos sonhos...

Numa caixa de rede azul turquesa, guardo os meus medos um a um...
Guardo pausadamente, sentindo alguma inquietação, pouco à vontade, mas sabendo que tenho de cumprir esta missão.
Vejo "O Grito" retratado, um vento frio, escuro e assombroso, a solidão e o medo...
Guardo-os meus medos, um a um na caixa...
Custa-me fechá-la, está cheia, cheia de dor que quer sair.
Mas uma rajada de vento aproxima-se e liberto as mãos para deixar a caixa voar para bem longe.
Respiro fundo e do meu lado esquerdo vejo um caminho de terra, que se dirige a uma clareira verdejante e dourada.
Borboletas brancas voam alegres e os veados surgem entre os arbustos, despercebidos da sua extraordinária beleza.
Sente-se uma clara felicidade e segurança no caminho.
Vejo-me, de vestido branco passeando contigo de mãos dadas, estamos tão felizes os dois.
Ouvem-se as vozes de crianças, são os nossos filhos que também caminham connosco, numa correria engraçada, apaixonados pela vida, inocentes e felizes.
Esta é a visão do caminho que posso percorrer e agora que vejo o futuro, preparo-me para dar o primeiro passo.
Estou vestida com o meu casaco verde, forrado com flores cor de rosa.
Inclino o meu peito para a frente, respiro fundo e dou o primeiro passo para me deixar-me fluir na aventura da vida...
Deslumbrada, comtemplo os pormenores, até que de repente, uma forte rajada de vento traz de novo a caixa azul dos medos.
Fico assustada, tento livrar-me dela, enxuto-a mas o vento rodopia-a de maneira a que retorne sempre a mim, aflita, começo a desesperar.
Mas súbitamente, lembro-me daquilo sempre soube e respiro fundo...
Sei que te tenho a meu lado.
Pego na caixa e enlaço-a numa fita cor de rosa, como se fosse um presente, com as duas mãos, liberto-a, num gesto harmonioso para que ela vá para onde pertence.
Um vulto azul levita num rasgão direito ao espaço e, lá no alto, acaba por colidir com uma estrela, na qual se some, deixando apenas um rasto pequeno de pózinhos de estrelas, formando depois um arco-íris.
Retomo o caminho, tranquila,de mãos dadas contigo.
Sei que há uma mensagem mágica guardada na clareira à nossa espera.
Um cavalo castanho, vem ao nosso encontro, e deixa-nos montá-lo.
Abraçada a ti, encosto a minha cabeça, sei que estou segura e protegida. Fecho os olhos para sentir ainda melhor o momento, sentir o teu cheiro, sentir a tua presença que é cada vez mais forte e certa em mim.
Chegados à clareira, somos impressionados pela imponência branca de uma fada magistosa.
Desmontamos do cavalo e de mãos dadas avançamos em silêncio para a Fada que se ergue no alto da clareira como um dislumbre.
Fascinados, mantemo-nos num respeitoso silêncio de prazer.
A fada inclina-se para a frente, e como que num sussurro, com as mãos em concha, junto à boca, solta notas musicais desenhadas que esvoaçoam em nossa direcção.
Boquiabertos, engolimos essas mesmas notas e os nossos corpos ganham uma vibração.
De mãos dadas, e em harmonia, regressamos ao nosso caminho original, onde se ouvem as vozes das nossas crianças brincando.
Inspiro, expiro, inspiro, expiro, para seguir as minhas pegadas do sonho.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Visualização da Montanha

A Montanha erguia-se imponentemente num suave branco de neve.
Eu estava próxima, na base, sentia respeito.
Tinha de a subir.
Olhei à volta para perceber como o iria fazer.
Vi o caminho e, ao vê-lo, percebi que estava acompanhada.
Não percebi quem eram as pessoas, mas íamos em excursão, com burros a carregar as nossas cargas.
Tinha de encontrar um objecto, podia ser uma pedra ou outro objecto qualquer.
Na minha mente, era uma pedra lisa.
Subi com tranquilidade, queria apreciar a beleza da montanha no seu espoente máximo, cada passo era dado com valor e sempre que podia comtemplava a vista que se me oferecia.
O final da tarde aproximava-se, estava a meio da montanha e ainda não tinha encontrado o meu objecto.
Deram-me três hipóteses: Voltar para trás, parar ou prosseguir caminho pela noite fora.
Parei, era o mais seguro.
Quando percebi que ía admirar o pôr do Sol naquele ponto da montanha, consciencializei-me de quem estava ao meu lado. Eras tu, meu ruivo das aldeias, da serra e do mar.
Estavas comigo afinal.
De mãos dadas observámos os últimos raios de sol luzirem sobre a montanha e a adormecerem sob o mar.
A noite chegou, dormimos aconchegados na nossa tenda, senti-me tão bem.
Ao acordar, pela manhã, percipitei-me para fora da tenda, junto à ravina.
Tinha acordado com um bater forte.
Era o meu coração rubi, que batia com a força do Amor lá fora.
Finalmente encontrara o meu objecto, que ao fim de contas já não era uma pedra lisa.
Apanhei-o do chão ainda frio da neve, e enquanto o segurava, com mais força e brilho ele batia.
Tu saiste da tenda ao meu encontro.
Tinha o coração nas minhas mãos.
Abraçaste-me e o meu coração voltou para mim.
Senti-me com mais força e vontade de passear pela montanha.
Agora já não procurava nada, estava contigo, de mãos dadas, decidimos dar o nosso passeio e aproveitar o dia.
Quando chegou a hora de despedir-me da montanha, sorri.
Agradeci a volta mágica ao meu Eu interior e nunca mais olhei da mesma maneira para a montanha...
:)

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Actus, Parcus, Formatatus.

Um homem vestido de fato e gravata, encolhe-se dentro de uma caixa de cartão e cobre a sua cabeça com outra caixa.
Nasce assim o Homo Formatatus.
Ambas as caixas têm escrito várias perguntas e afirmações existencialistas.
Noutro plano, as três Parcas avançam em passos solenes e compenetrados no seu tear.
Permanecendo quietas com as suas funções.
A primeira Parca desenrola o fio da vida, a segunda mede-o e compõe o seu comprimento, a terceira decide quando tem de o cortar.
O Homo Formatatus é pontapeado levemente pela segunda Parca e em cada pontapé que leva, tira para fora da caixa uma pergunta que imediatamente amarrota e atira para a audiência.
Após alguns pontapés da vida e várias perguntas soltas, o Homo Formatatus, decide sair da sua caixinha, mas não o faz precipitadamente, é uma despedida sincera de um formato a que está habituado, os seus passos são tremidos mas determinados.
Já fora da caixa encontra um instrumento, esse instrumento intriga-o e seduz-lo.
Ele pega no instrumento atentamente num gesto ameno, e começa a tocar.
O ritmo pulsa-lhe nas veias, ele entusiasma-se e o som propaga-se com mais intensidade.
Quando a música atinge o seu climax...
A terceira Parca corta o fio.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Mulher das Aldeias...

Digam o que quiserem...
Quero paz e sossego, mil vezes uma noite sob um céu estrelado perto do mar do que a confusão da cidade.
Concertos, festas, teatros, eventos, quero lá saber!
De vez em quando pode ser.
Mas o que eu quero é tranquilidade.
Uma casa no campo.
As árvores como vizinhos.
O mar como destino.
Não quero confusões.
Não quero carros e multidões.
Quero beber o meu moscatel sossegada.
Ouvir um fado.
Ir ao bailarico.
Ler um livro na serra ou na praia.
Quero namorar na natureza.
Quero sentir-me livre.
Longe da corrupção.
Gosto de observar os velhinhos calados.
Sentados nas suas cadeiras sem trocarem palavra.
Não sei o que pensam, mas imagino.
Quero que os meus filhos nasçam e cresçam num sitio saudável.
Que andem despreocupados pelas ruas da aldeia, que se sujem à vontade no mato.
Imagino-me no alpendre de minha casa, vejo os meus filhos a correm num caos saudável pela rua fora com os cães atrás, sinto o cheiro de um bolo no forno que preparei para o lanche.
Estou sentada com o meu marido no baloiço de nossa casa, num conforto e tranquilidade. Sabemos que temos um lar de Amor com Amor, que vivemos em familia e somos, à nossa maneira, felizes.
Quero ter tempo para dedicar-me à minha familia.
Ser uma mãe full time, tirar um curso de culinária para melhorar os meus dotes.
Cantar para os meus filhos e aos fins de semana fazermos pequenas peças de teatro.
Inventarmos histórias e escrevê-las em conjunto. Criarmos toda uma oficina de artes só para nós.
Nos dias de sol, daremos grandes passeios pela serra e faremos pic-nics.
Daremos passeios de burro, iremos vistar os lobos.
Passaremos grandes dias na praia.
Ao fim do dia iremos pescar.
Faremos festas em casa, com churrasco, para os amigos e vizinhos.
Vamos contar estrelas no céu e dar-lhes novos nomes.
Vou acompanhar fotográficamente a história da nossa familia, do meu clan.
Vou olhar para o meu marido com cumplicidade, seremos verdadeiros companheiros.
Vamos ajudar a comunidade onde vivemos e fortalecer os laços.
Sonho alto?
É possível, o primeiro passo é acreditar. ;)

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

aDeus Nico(lau)

Hoje partiste meu valente.
Eu sabia por esta altura....
Tinha de ser e o que tem de ser tem muita força.
Agora caminhas com o teu dono, lado a lado como sempre gostaste.
Quantas vezes nós os três nos aventurámos no R5 pela serra acima, em direcção à praia pequena...
De todos, foste quem mais assistiu ao nosso Amor, viveste e partilhaste-o connosco.
Eras feliz com a nossa felicidade, eras feliz por natureza.
Eras um cão alegre, aventureiro, vadio e rafeiro.
Adoravas comer, passear e meter-te com as pessoas.
Toda a gente sabia quem tu eras.
O Nico, o cão que apanha comboios sozinho.
Fiel ao teu dono, ao teu parceiro.
O Bernardo dizia que eras o filho dele, o nosso filho...
E eras, talvez de nós os três, o mais sábio...
Quando o Bernardo partiu fizemos promessas....
Sentia o tempo contado...
Não me surpreendi quando me ligaram...
O vento ontem susurrou-me aos ouvidos, não consegui estar longe do mar....
Passei a noite em branco junto à praia a ouvir as ondas baterem nas rochas e o vento forte revoltando-se...
Eu e o meu anjo de fogo tinhamos um caderno só nosso...
Lembro-me de escrever poesias para ti Nico.
Quando o Bernardo ía surfar, "só meia hora" dizia ele, as horas passavam...
Eu levava os meus livros e cadernos e tu farejavas tudo o que havia a farejar, mas vinhas sempre ter comigo, ver se eu estava bem.
E reconhecias sempre o Bernardo no mar.
Pai e filho, tal e qual. :)
Sei que estás bem Nico, estás com o nosso Bernardo que tanto amamos.
Tenho saudades vossas...
Mas sei que um dia vamos estar todos juntos novamente, a surfar ondas, a curtir o sol na praia, a fazer amor e churrascos.
Vamos viver com a genuídade que sempre vivemos.
Vamos viver a nossa verdade.
Viver o Amor que sempre ansiámos.
Sim, eu sei, que o que tem de ser tem muita força.
Até já meus queridos...

sábado, 25 de outubro de 2008

Carta de gratidão

Obrigada pelas palavras e compreensão.

Obrigada por estares disponivel.

Obrigada pela amizade e carinho.

Obrigada por partilhares a tua sabedoria.

Obrigada por me ouvires.

Obrigada por me esclareceres.

Obrigada por todo o Amor que me dás.

Obrigada por seres uma Amiga tão maravilhosa e presente.

Obrigada por acreditares tanto em mim.

Obrigada por me considerares parte do teu clan.

Obrigada pelo colo que tantas vezes me dás.

Obrigada pela força, segurança e conforto.

Obrigada pela tua preocupação pelo meu bem estar.

Obrigada eternamente...

És uma amiga muito especial.

Amo-te muito minha irmã.

Beijos

Nine Out Of Ten

Esta é uma música que quero partilhar.
Passei grande parte do Verão com a minha querida amiga e nas nossas viagens de verão, o Caetano acompanhava-nos com as suas melodias.
Pedi pelos anos, ao meu irmão, um cd com os clássicos do Caetano, mas o que seria do meu irmão, se não fosse a sua originalidade?
Ofereceu-me o cd "Língua", que é quase todo cantado em inglês, espanhol e até português de Portugal!
Esta música para além de alegre cantada, para quem me conhece, tem muito a ver comigo. ;)

Nine out of ten
I walk down Portobello Road to the sound of reggae
I'm alive.
The age of gold, yes, the age of
The age of old
The age of gold
The age of music is past.
I hear them talk as I walk, yes, I hear them talk
I hear they say
Expect the final blast.
Walk down Portobello Road to the sound of reggae
I'm alive.
I'm alive and vivo muito vivo, vivo, vivo, vivo,
Feel the sound of music banging in my belly, belly.
know that one day I must die.
I'm alive.
And I know that one day I must die.
I'm alive.
Yes, I know that one day I must die.
I'm alive.
I'm alive and vivo muito vivo, vivo, vivo.
In the Electric Cinema or on the telly, telly, telly.
Nine out of ten movie stars make me cry.
I'm alive.
Yes, nine out of ten film stars make me cry.
I'm alive.

Nowhere Man (Rehearsal)

Heis uma personagem que criei para eu elaborar e vestir na pele no âmbito da disciplina de Artes e Espectáculos.


Nowhere Man

Senhor já de idade.
Olhar vago e vazio.
Usa um casaco encarnado.
Uma camisa aos xadrez encarnada e branca, calças creme e sapatos castanhos.
Usa uns suspensórios azuis.
A única cor que lhe dá vida é a do casaco de malha já gasta…
Tem pouco cabelo e o pouco que lhe resta é branco.
Tem a barba por fazer, picante.
Os olhos são esverdeados, o nariz é comprido e meio arredondado.
Anda de boca aberta.
Parece uma pessoa sofrida.
Caminha devagar, com o seu olhar distante fixo num horizonte perdido.
Nos dias de sol passeia na rua sem nenhuma direcção concreta.
Parece que perdeu algo que lhe era muito querido…
É um senhor muito sozinho.
Mas sabe-se que há uma vizinha que o ajuda, leva-lhe as refeições a casa e dá uma arrumadela ligeira.
A casa dele tem um cheiro muito próprio, não é muito arejada, a mobília é velha, tem algumas fotografias, já antigas e poeirentas.
Tem algumas revistas sobre a mesa, mas o senhor não lhes toca, é a vizinha que as deixa lá para ele se entreter, mas nada o parece mover.
A televisão também já mal funciona.
O único entretém do senhor em casa é olhar pela janela, como se esperasse por alguém ou por alguma coisa.
A comida já não tem sabor, come o que lhe põem na mesa, come sem apetite e prazer, come por dever.
Suspira profundamente, sente-se desgastado.
Parece ter uma relação de amor-ódio com Deus.
As suas recordações, o seu passado pesam-lhe na alma.
Nunca mais chega a hora desejada de partir.
O senhor quando caminha, com o seu olhar vago, parece que procura Deus, como se Ele o tivesse perdido de vista.
"Aqui estou eu, leva-me Senhor".
Já não tem cá a sua família, já pouco lhe faz sorrir…
Custa-lhe o acto de respirar, não porque esteja doente mas porque já o aborrece.
Em tempos distantes, este senhor solitário teve mais vida, caminhou de cabeça erguida, sonhou, viveu grandes paixões e aventuras. Teve amigos e sorria…
Onde param esses anos gloriosos? Onde estão essas pessoas que se cruzaram no seu caminho?...
Algo se perdeu, e o senhor nunca mais voltou a ser o mesmo.
Quando decide falar, quase que soluça com os seus suspiros e não termina as frases, perdendo-se novamente em alguma imagem perdida da memória.
Ora reza a Deus para que o leve, ora roga-lhe pragas por o não levar.
Está cansado, está farto, pesam-lhe os anos e a vida.
Todos os dias faz o mesmo, levanta-se cedo de casa e caminha na mesma rua, até ao jardim mais próximo.
Há dias em que não pára em lado nenhum, se não fosse a vizinha ninguém daria pela sua falta, ela é que pede sempre ao bombeiro que é seu amigo para procurar o senhor.
E depois de algumas voltas pela cidade, encontra-se sempre o senhor, ao pé do cemitério onde espera ser enterrado.
Uma coisa é certa, este senhor terá sorte um dia…

Alguns passos da minha vida...

Com o devido tempo e paciência escreverei mais sobre estes felizes momentos que recordo, até porque escrevendo relembro-me dessas sensações que vivi.
Olho para trás com alguma nostalgia, alguma tristeza, alguma alegria.
Tenho saudades da criança que fui e tantas são as vezes que tenho vontade de abraçar a pequena Inês e dizer-lhe "Força minha querida, dá os teus pequenos passos de cada vez, cresce com a força natural que tu tens, ri-te como gostas, chora à vontade pequenita, brinca como só tu sabes, cria, inventa, sê essa criatura livre que nasceste para ser, não tenhas medo princesa, vai correr tudo bem."
Em algum momento fragilizei...
Tenho memória de quando tudo era novidade, de quando nada me assustava, era apenas curioso, lembro-me de ganhar os primeiros medos...
E como mudei de bebé para criança, a cor do cabelo de preto escuro ficou castanho claro, a cara bolachuda ficou mais esguia, os olhos redondos ficaram mais rasgados...
A voz estridente suavizou.
hehehehe!
Tem graça como sempre gostei da terra, no quintal brincávamos nos canteiros, eram florestas amazónicas, mundos perdidos.
Cada vez que íamos à praia recolhíamos pedras e não digo pequenas pedras, eram deveros calhaus, o carro voltava sempre mais pesado do Algarve.
Paus, canas, conchas e pedras, era um verdadeiro entretém para mim e para o meu irmão.
Lembro-me que gostava de me esconder.
Uma vez no Algarve abri um buraco nos arbustros e escondi-me lá com o mourafado, levámos para lá uns biscoitos de chocolate, entretanto a mãe dele chegou e ele saíu do esconderijo para lhe dar um beijinho, quando voltou eu já tinha comido os biscoitos todos!
Ele ficou furioso porque queria oferecer alguns à mãe.
Fiquei sem saber o que dizer, pensava que íamos ficar escondidos para sempre...hihihihi!
Não era só nos arbustros que me escondia, adorava esconder-me em casa dos meus avós, escondia-me atrás das cortinas, nos armários, debaixo das mesas... Era capaz de ficar horas escondida, sem fazer um barulho, adorava saber que ninguém me via e encontrava, adorava estar em silêncio na solidão.
Brincar, brincar era tão bom, inventava diálogos extensos com as minhas barbies e barriguitas, o que gostava mais nas bonecas eram os seus cabelos, brincava com as bonecas viradas de costas para ver os cabelos delas abanarem.
Retratava histórias que tinha ouvido, novelas que davam na televisão, coisas que tinham acontecido na escola...
Trazia giz da escola e escrevia nas paredes do meu quarto.
O meu quarto de encantar, parecia um sonho, com as paredes floridas ao de leve, em tons de cor de rosa, com prateleiras cheias de livros, bonecos por todo o lado, a cama de solteira da minha bisavó, onde a partir de uma certa idade já não cabiam os meus pés. :)
Fotografias a preto e branco do Jim Morrison e dos The Doors e Frases rebeldes, próprias da minha adolescência.
Adorava cantar pela rua fora, recitar poesia a quem quisesse ouvir, parar nas livrarias e ler os livros de rasgão para não ter de os comprar, uma vez que não tinha dinheiro.
No meu quarto, sossegada, acendia incenso, ligava o meu gira-discos da fisher-price, que recebi quando fiz 4 anos, e ouvia "The Celebration of The Lizard", sentada no chão, deixava-me fluir pela poesia musical e sonhava com a rebelião heróica do romantismo...
Quando havia manifestações que me interesassem participava, lembro-me tão bem de vestir-me de branco por Timor, apelar aos meus colegas e amigos para se manifestarem de branco, "Libertem Timor Lorosae".
Vestia largas calças à boca de sino, tinha o cabelo comprido e usava duas longas tranças.
Óculos de sol com aro redondo, malas de crochet, colares de missangas, flores na cabeça, assim me apresentava, era o que acreditava ser.
Ainda hoje sou, jovem, mas tão mais cansada....
A vida entretanto deu tantas voltas e, se já naquela altura me sentia incompreendida, hoje ainda menos me compreendo!...
Quis sossegar o meu espírito, pensei que se não desse tanto nas vistas, o protagonismo da minha própria vida se disipasse, mas de facto, não foi isso que aconteceu.
Continuei a ser actriz principal no palco da minha vida...
Quando o Bernardo partiu...
Perdi-me...
Mas essa história contarei numa outra altura...


domingo, 19 de outubro de 2008

O Pescador e a Pedra que era um Peixe.


Era uma vez, em tempos já distantes, um pescador bem conhecido e respeitado por todos os habitantes da sua aldeia e arredores.

Era um pescador destemido, que navegava sozinho à procura do melhor peixe.

Pescava só de noite.

Ele sentia pela brisa, e pelas estrelas do céu, o estado de graça do mar.

Compreendia melhor que ninguém o que cada maré trazia.

Era um pescador apaixonado, vivia só para o mar.

Não era homem de grandes palavras, mas era muito respeitado.

Ninguém se atrevia a duvidar das suas proezas, mas também ninguém tinha coragem de o acompanhar.

Secretamente consideravam-no louco o pescador.

Tinha um barquinho pequenino, nem duas pessoas cabiam lá como deve ser.

O barco fora por ele feito, à sua medida.

Não gostava de conversas, homem de poucas palavras, sentia-se bem apenas a pescar.

Estudava o olhar da lua e compreendia a linguagem do mar.

Era ousado e destemido, não parava para brincar.

Certo dia, feitas as suas contas, compreendeu que peixe graúdo aproximava-se . Sabia que este peixe era dele.

Estudou muito bem as possibilidades de o apanhar, que movimentos ele faria e por onde se deslocaria.

Todas estas informações eram-lhe dadas por instinto, pelo amor ao mar.

Já as más línguas diziam que ele tinha feito um pacto com o diabo, pois não era normal ser-se tão preciso a pescar.

O pescador não ligava a essas conversas, era de poucas falas e poucos sorrisos. Agora tinha uma missão: Apanhar o peixe graúdo que se avizinhava.



Ao contrário dos outros pescadores, este pescava de noite. De madrugada trazia o peixe, de manhã comprava o pão, bebia o seu copo de vinho e seguia para casa onde se estendia na sua cama sempre mal feita e descuidada.

Não adormecia logo, ficava a pensar no próximo peixe a pescar. É que este pescador não era um pescador qualquer, só pescava um peixe por dia, mas era sempre um peixe tão grande, tão grande que valia para a aldeia inteira. O peixe miúdo a ele pouco lhe dizia, nem o queria.

Enquanto estava deitado na sua cama, pensava e repensava na melhor forma de surpreender este novo peixe que se aproximava da costa, ele sentia-o à distância, sabia que não era um peixe qualquer, era um peixe especial e só ele é que o podia pescar.

Mas o mar que também prega as suas partidas, quis testar o pescador, pois o peixe novo que trazia não era para amador.

Tinha de se o querer a valer e provar o merecer...

O peixe novo era especial, pesava mais de dez toneladas, era forte e ágil, gritava vida e beleza, era um peixe tão grande e poderoso, tinha várias cores, olhos redondos gigantes, uma boca enorme, umas barbatanas esguias e flutuantes, brilhava como se tivesse tomado um banho de ouro.

Este filho do mar que se estava a aproximar, era um peixe de encantar, um verdadeiro orgullho de se admirar.

Mas o pescador quis ousar, sabia que aquele peixe era diferente, percebia a sua magia, mas não resistia, tinha de o apanhar para a aldeia toda o louvar.

Pois o pescador, que era de poucas falas, solitário e orgulhoso, por trás dessa fachada era também muito vaidoso.

Sabia-se que era pretensioso, por apanhar o que mais ninguém apanhava.

Desta vez, o pescador quis esmerar-se e a toda a aldeia contar o que iria pescar.

-"Espantem-se meus senhores e senhoras, pois o peixe mais incrível vou eu apanhar, o peixe mais bonito que já alguma vez sonharam alcançar, este peixe glorioso, filho do mar, vai a aldeia alimentar durante meses sem parar!".

Os aldeões, suspeitavam, alguns até se benziam, não que dele duvidassem mas temiam a desgraça das desgraças se o mar se enfurecesse, pois se o peixe era tão especial, talvez não se devesse a ele fazer mal.

O pescador fez as suas contas, contou as luas, analisou as marés, e na altura devida, pegou no seu barquinho e preparou-se para o desafio.

Entoou um cântico do mar, que ele fazia sempre como se estivesse a rezar, remou, remou, mais para a direita, um pouco mais para a frente, um pouco mais à direita, levemente à esquerda, seguiu um pouco mais em frente e parou.

Agora só lhe restava esperar, ele sabia que o peixe por ali ía passar.

Entoou mais um cântico, preparou o seu arpão, ele era ágil e eficiente, com um simples olhar, fatalizava a vida de qualquer peixe, o seu lance era certeiro e eficaz, o peixe não sofria e instântaneamente ali morria.

O momento aproximava-se, ele sentia na pele, a brisa roçava-lhe como um sinal, as estrelas sorriam-lhe, a lua trespaceira, escondia-se, e um circulo à volta dela se formava avisando o perigo que se avistava.

Mas o pescador ignorou os sinais, sabia que o perigo era iminente mas acreditava que ele o conseguia superar, bastava lançar o arpão para esta ânsia passar.

A adrenalina subia-lhe à cabeça, o coração batia mais forte, o momento derradeiro estava cada vez mais próximo, o peixe já se sentia por perto.

O pescador pôs-se em posição, levantou-se no barco, com a mão direita segurava o arpão em posição fatal, era uma questão de segundos para que orgulhosamente tivesse o peixe consigo, derramando o sangue nobre do mar. Seria a maior consquista, depois disto pensava reformar-se, partir para outro lugar...

A ondulação tornava-se, à medida que o peixe real se aproximava, cada vez mais forte, o barco tremia, mas isso não desmotivava o pescador, ele estava cada vez mais ansioso, mais cheio de vontade, já via a sua cauda gloriosa a emanar pelo mar acima, quase que saltando do barco, o pescador atira o seu arpão, quando para seu grande espanto, no momento crucial, o peixe deu um salto mortal, o mar irado, virou o barco ao pescador, as ondas agitaram-se enfurecidas, e ouviu-se uma voz profunda ecoando sobre o mar.

O pescador não percebendo o que se passava tentou agarrar o barco, mas sentia-se a ser puxado, o grito do peixe era agudo, o pescador não o queria perder e num esforço quase inútil de virar o barco viu algo de muito estranho acontecer.

O peixe real num salto virou pedra e ali imóvel ficou.

O pescador já sem forças, deixou o barco fugir e desmotivado deixou-se ir.

Pensava estar morto, pensava que aquele era o limiar...

Os seus olhos nunca avistaram tal fenómeno, entorpecido foi parar ao fundo do mar.

Como que num sonho percebeu onde falhara e porque é que sofria agora.

Desejou o que não devia, o que não lhe pertencia, o mar dera-lhe a glória devida mas ele a quis desmedida.

Quando acordou, estava no areal, como se tivessem passado dias, mas na verdade era apenas o amanhecer.

Ainda atordoado, abriu um olho de relance e viu que os aldeões se tinham reunido na praia, comtemplavam o mar muito espantados, nem percebiam que ele ali estava deitado.

Devagar levantou-se com cuidado e quando recuperou algumas forças, ainda molhado foi ter com um menino pequenino, de cabelos escuros e olhos pretos profundos, que segurava um pau e brincava com ele na areia.

Perguntou o que se passava com um gesto bruto, o menino não respondeu, baixou a cabeça, fez um circulo no areal, e depois, ergueu a cabeça e com o pau apontou para a sua direita em direccão ao mar, fixou o seu olhar e não fez mais nada.

O pescador acompanhou cada movimento do menino, observou-o atentamente, quando percebeu o que era apontado também fixou o olhar espantado.

O peixe era agora pedra, uma pedra que nunca ninguem tinha visto, a aldeia estava em alvoroço, que pescador mais pretencioso!

O pescador jurou para si que nunca mais iria ao mar navegar e que a partir de agora só pescava peixe miudo à beira mar.

A partir daí começou mais calmo, a dirigir seus cumprimentos aos aldeões, até seus hábitos mudou, mas nunca mais uma palavra pronunciou, o grito do peixe real, quando pelo pescador atacado, cortou-lhe a voz para sempre por castigo.

E a pedra peixe ali ficou para sempre à beira mar, onde o pescador a pudesse comtemplar sem jamais a tocar.

Os aldeões espalharam a notícia pelas aldeias vizinhas e a pedra fenomenal tornou-se um local de adoração.

Reza a lenda que a pedra vira peixe nas noites de lua cheia.

E que o pescador nunca mais saiu da beira mar ainda com esperanças de o conseguir pescar.




sábado, 18 de outubro de 2008

De cabeça erguida...

É bom saber aceitar o rumo natural das coisas.

Entender que o processo das coisas nem sempre decorre como esperamos, lidar com as falhas.

A minha área envolve risco, talvez porque desde sempre tenha vivido no limbo.

A linha que separa a vida da morte é muito ténue, um passo em falso e podemos perder tudo.

É nesse limiar que me encontro, vivo com urgência de viver, não como uma louca mas com alguma loucura e ansiedade. Não gosto de perder tempo.

Neste seguimento, dou mais valor àquilo que possuo, sabendo que na verdade nada é meu, sou também menos materialista, porque sei que nenhum pertence "meu" partirá comigo.

Dou mais atenção e valor às pessoas que se cruzam no meu caminho e mais valor àquelas que percorrem o caminho comigo. Seja a que ritmo for, seja qual for o destino, valorizo a partilha, a descoberta, os laços que se criam...

Sou mulher para pedir desculpa quando falho, sou mulher para perceber quando erro, sou humilde para escutar os outros e ouvir suas razões.

Sou mulher para viver a minha verdade, viver com emoção e Amor, sou mulher para ter esperança, sou mulher para sonhar alto, sou mulher para sorrir com gargalhadas soltas, sou mulher para dar os meus gritos de fúria e de dor, sou mulher para abraçar e amar, proteger e ser protegida.

Gosto de ser fiel aos meus sonhos, às minhas ambições e crenças. Respeito-me imenso e fico perturbada quando isso não acontece.

Não gosto de deixar assuntos por resolver, não gosto de ter sentimentos entalados que só num soluço se escapam sem sentido...

Não sou perfeita, falho imenso mas tenho um fundo bom, bem intencionado.

Por isso, no mundo das descobertas, a fé que tenho na vida e no Amor são o que me fazem caminhar de cabeça erguida.

A Esperança é um dom que eu tenho em mim...

Gostava que fosse mais fácil...
Gostava de ter a receita para que resultasse...
Há alturas em que fraquejo, em que desacredito...
Sinto-me cansada de estar cansada...
Parece uma luta constante.
Tenho tanta vontade de voltar ao útero da minha mãe, sentir essa segurança, essa tranquilidade e amor...
Preciso tanto desses mimos, de uns braços que me façam sentir segura.
Por vezes sinto-me tão só.
Valem os amigos e a familia. Mas falta sempre qualquer coisa.
Falta o Amor que tanto quero na minha vida...
O meu anjo cor de fogo partiu cedo, antes da hora prevista e agora procuro-o por todo o lado...
Fujo para a serra, lá sinto-me bem.
Abraço as árvores, escuto-as.
Sinto a brisa forte, os calafrios e o leve calor que se faz sentir...
Observo o mar que tanto me inspira e sonho...
Quantas são as vezes que apetece atirar-me ao mar e nadar até não conseguir mais.
Entregar-Lhe a minha alma, tornar-me una.
A música é o meu remédio para muitos sintomas de mal estar amorosos, espirituais, sociais, familiares, entre outros.
A música é minha grande amiga...
Ando sempre ansiosa e ao mesmo tempo esgotada, parece que tenho pouco tempo e que tenho de fazer tudo já.
Quando páro... Quando páro sinto-me confusa... Atordoada e ligo a alguém.
Sempre que posso vou para a serra, passeio pelas aldeias e falo com a gente de lá.
Vejo as casinhas e sonho com a minha.
Delicio-me com os verdes da serra, as luzes que incidem sobre as árvores, as folhas que caiem no outono, o verdejante primaveril, o calor abrasivo do verão e o cheiro a terra molhada no inverno.
Para mim está sempre bom na serra, todo o ano, em qulquer altura, desde que esteja a respirar natureza.
Sou mulher do campo, alma selvagem...
Sei que em breve instalo-me na minha terra, na terra que eu pertenço e depois tudo se encaminhará para que de lá não saia.
O meu trabalho dedicado às artes, às crianças e à natureza, o meu sonho de fada irá-se concretizar, porque assim o acredito e as poucas forças que me restam dedico-as à Esperança.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O primeiro dia...

Em total apatia numa noite de segunda feira, dia 13 de Outubro,a dois dias de completar um quarto de século, decidi aventurar-me no mundo informático, após algumas tentativas frustradas, e, criar um blog apropriado aos meus devaneios. Quem o ler não se espante com o grafismo e com a imagem, (in)felizmente nunca consegui dedicar a minha atenção a estas áreas...
Mas escrever isso sim já me entusiasma, adoro perder-me em pensamentos dispersos, sonhar alto com mundos imaginários, criar hipóteses surreais sobre situações ou pessoas inventadas num carrocel de liberdade...
Por isso sempre que tiver tempo livre tentarei dedicar-me a partilhar, com quem quiser e dispuser de atenção, as minhas ideias e pensamentos pouco lúcidos, ou pelo menos ofuscados pelo nevoeiro que volta e meia afecta a minha razão.