Palavras engasgadas, gritos soltos e desmedidos, vontade entorpecida de emergir da terra para o alto dos céus, voar e libertar as asas do desejo. Vontade de ser mãe, filha da mãe terra.
Estou enlaçada nas raízes que me guiam na minha própria cegueira....
Preciso de me soltar deste enclausuramento a que me dediquei, estou bloqueada, confinada a quatro paredes de solidão. O vazio que me tanto apraz..
Fujo do quê??
Espumo da boca como uma fera, rodopio na minha própria cauda de lagarto, as cores mudam conforme o espírito...
São momentos, devaneios, rasgos da minha natureza selvagem.
Sou mulher e não um bicho, mulher selvagem... mas são tantas as vezes que me esqueço e me perco em mim, deixo-me invadir pela insegurança, pelos medos sombrios e apago-me na invisibilidade do ser...
Momentos, não passam de momentos, mas são momentos que me deixam de rastos, canso-me porra, quando é que chega o jardim de flores, o som dos pássaros e as fontes?
Quando é que monto o cavalo branco da estrada da serra e cavalgo rumo à minha verdadeira essência?
Agora é o momento. É uma permisa a cumprir, preciso de explorar e usufruir desta imensa criatividade que há em mim.
Não serei como os outros, infelizes que não seguiram os seus sonhos, que se fecharam no mundo dos mundos, dos outros, dos que não sabem ou não querem saber, que pensam que sabem mas que não vêem o que de verdadeiro há para ver.
A Vida é para se viver com o coração, viver de Amor, para o Amor e com Amor!
Que sentido faz eu estar aqui, como um carneirinho, numa fileira em rumo ao precipicio?
Seguir o rasto?? Faz sentido? Sinto-me mais confortável???! Não!!
Chegar ao fim da minha vida e ver como não vivi, como deixei de lado todos os meus sonhos, porque não acreditei, porque houve quem não acreditasse?... Que miséria, confinar-me à opinião de alguns, que por vezes acho importante, mas o que é que eles sabem?! Vivem a vida por mim? Ditam-me as regras, tudo sabem quando é para opinar mas quando se trata de mudar as próprias fraldas é que se vê onde reside o real esterco!
Vivem da mentira e do engano, com ares emproados e arrogantes...
Não tenho paciência e sinto-me contaminada e angustiada com vómitos constantes, só de pensar que me posso tornar igual, que esteja nos meus genes, que me caia a mesma desgraça...
Tenho de lutar, tenho de ditar eu as regras, fazer-me ouvir, acreditar em mim já que poucos o fazem, até que são muitos, mas porque é que sinto isto??! Porque é que a opinião de apenas alguns me amargura tanto??!
Que cordão maldito que nos une....
Minha doce mãe, se estivesse no teu ventre agora, já estavas mais que cansada!
Eu nasci num turbilhão, noite de tempestade e desde cedo que não trouxe sossego, pois o sossego não pára em mim...
Mas sei que vou acalmar, um dia... talvez quando tiver um ser mais frágil nos meus braços, meu de algum modo, que eu possa Amar, proteger e cuidar, incentivar as suas motivações, vê-lo crescer com orgulho...
Quero tanto formar o meu clan, começar de novo, não fazer as mesmas asneiras, se bem que vou errar, mas pelo menos formar o lar que sinto que perdi há tanto tempo atrás...
Estou cansada de não saber a onde pertenço...
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