quinta-feira, 25 de março de 2010

O vácuo.

Quando chega a tempestade e parece que não vai embora...
Uns dias mais cinzentos do que outros...
Vento frio arrepiando a espinha e os nervos.
Os dentes tremem a boca.
Os olhos semi-cerrados.
As costas curvam-se em peso.
Os ombros descaídos revelam a insegurança.
Fechada em copas contrai-se a dúvida.
Os passos tornam-se cada vez mais lentos.
A cabeça cabiz-baixa desmoraliza qualquer sinal de ânimo.
Suspiros atrás de suspiros,
E uma vontade enorme de cair numa profunda e lenta inércia.
Fechada em copas dentro da prisão que criou.
Não vê para além das grandes muralhas que em seu torno gerou.
Contaminando-se no seu tépido odor.
Instala-se a nostalgia e sensação de vazio.
Nada a faz avançar.
Os sonhos e as esperanças parecem adormecidos,
Distantes e vagos.
Já não sabe o que quer,
Já não sabe para onde ir.
Deitada na cama sempre por fazer,
Os lençois amachucados,
O cabelo despenteado,
A maquilhagem borrada.
Acende um cigarro e dá um golo do seu whisky.
E num gesto de desdém sobre a sua própria vida,
Aprecia o queimar do cigarro nos seus lençois.
Com brilho nos olhos e uma réstia de esperança.
Vê o arder da sua própria existência.
Falta-lhe paixão, falta-lhe vida.
É uma casca dura porém oca, vazia...
Lá dentro só ar (contaminado).
Desejo constante de pôr um termo ao suspiro.
Uma fraqueza que se revela em tom de desistência.
Não sabe por onde ir,
Apenas suspira e inspira o fumo do cigarro que arde nos lençois.
Quando finalmente lhe toca na pele o fogo quente
Ela, finalmente, viva se sente!
A sensação é boa demais para deixar ir.
E enquanto a pele se queima e arde
Vem-lhe a vontade...
De rir.
Os seus olhos brilham agora de uma dor de alegria.
O fogo que a consome,
Dá-lhe um prazer enorme
Entretanto a dor torna-se mais intensa,
O fumo sufoca-a gradualmente
O cheiro a carne potrificada,
Deixa-a desarmada.
Qualquer vontade de se debater,
Acaba-se por perder,
Rende-se o espanto
Ao encanto que é
Morrer.
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